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Vila de Boim · Cultura

Cultura

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Uma tarde boemia, depois de uma boa chuvarada estavam na praça dois compadres curtindo uma branquinha quando começou o papo sobre as gatinhas do pedaço.
Compadre João disse:
_ Compadre agora to na idade do urubu.
_ Mas compadre que que é isso, eu só casquinha.Disse Luis.
Nesse momento a mulher do compadre Luis ia passando e ouvia o final da conversa e disse:
_ Compadre, o João tá mesmo só casquinha. Lá em casa tem casca de laranja, de andiroba, de pau d’arco, de barbatimão e tantas outras. kkkkkkkkkk

Em décadas anteriores quando a floresta boinense era farta de extrativismo animal e vegetal todos os moradores possuíam seu acessório para conduzir o que necessitavam fosse da mata para casa ou vice versa. Geralmente traziam carne de caça ou breu jutaicica,ou óleo de copaíba. Não havia distancia para separar o homem de seu jamanchim. Algumas pessoas teciam seus próprios materiais outros dependiam dos que sabiam tecer, havia grandes e médios e pequenos,

alguém conhece ou ja usou

mas certo que era o inseparável, até que chegou a saca de palhinha.

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Em Boim, há cerca de trinta anos, existia a figura do Superintendente de Polícia Local. Uma pessoa, temida pela população, “escolhida a dedo” para representar à Lei em todo o distrito boinense.
O Superintendente Local como autoridade que era, tinha certos poderes. Podia prender infratores da lei e setenciá-los a cumprir a pena na cadeia na própria comunidade. Só casos de maior proporção eram levados à cidade de Santarém.
Certa vez, alguns amigos resolveram fazer uma piracaia, encontro na praia de diálogo, cantoria, piadas, contação de história, regado da degustação de algum alimento, cozido em uma fogueira. Sem peixe ou qualquer outra opção, resolveram furtar uma galinha. E assim fizeram.caldo
Todavia, foram descobertos e denunciados à autoridade local. O Superintendente que punia à todos, sem exceção, para evitar “falações” e dar exemplos, chamou os quatros cinco jovens envolvidos.
Os jovens foram ouvidos e quatro deles confessaram envolvimento total no caso. Como eram réus primários, pegaram três dias de prisão.
Um deles alegou que havia chegado no fim e que participara apenas em parte. Havia degustado apenas o caldo e que, portanto, não deveria cumprir pena alguma.
O Superintendente, no entanto, bateu o martelo e decretou que este deveria cumprir cinco dias de prisão. “Meu filho, é no caldo que tá a vitamina!

 

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Desde a infância, sempre nas contações de histórias que ouvimos dos mais velhos da comunidade, nos deparamos com a figura dos ingerados, que são pessoas, segundo a crença, demoníacas que se transformam em outros seres, principalmente animais.

De madrugada o fulano se ingera para cavalo. O ciclano se ingera para uma onça. A beltrana se ingera para uma porca. Essa metamorfose, acontece devido essas pessoas possuírem “orações feias”, ou seja, pactos demoníacos.

As incertezas pairam entre as pessoas, mas àquelas de mais idade garantem que é real. Afirmam que já viram, presenciaram esse momento macabro. Os ingerados circulam geralmente altas horas da noite e perseguem pessoas, principalmente quando estão sozinhas, e cães nas ruas. Mas há aqueles que, talvez, sejam mais “poderosos” ou mesmo “sem vergonha” e resolvem passear cedo da noite mesmo, sempre em locais com pouco movimento.

Um dia desses um senhor da comunidade foi surpreendido por um desses seres. Próximo ao cemitério deparou com uma porca que o fez correr. O senhor acabou passando mal e foi parar na água doce. Alguns comunitários, em solidariedade, foram caçar a tal porca, que é uma pessoa ingerada. Não a encontraram. Acaba surgindo suspeitos nas conversas de vizinhança e outros até apostam que sabem quem é a pessoa que se ingera para a porca.

A caçada continua. Quarta, dia 16/10, algumas pessoas a avistaram no bairro do Tucumatuba. Os mais corajosos da comunidade garantem que o fim dos seres ingerados está próximo. Será? Existem mesmo? Já imaginou você encontrando um cavalo, uma onça, que o persiga à noite? Prefiro não duvidar e espero nunca encontrá-los em minhas andanças por aí!

porco

 

 

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jornal boim

EDIÇÃO JORNAL Á NOTÍCIA DE BOIM SETEMBRO DE 2013

Olá amigos, Paz e Bem! Estamos voltando com mais uma edição nova e quente do jornal á notícia. Nessa Edição, queremos relembrar sobre a festa do Padroeiro mais querido de Boim “Santo Inácio de Loyola”, sobre o desfile do dia da Pátria, de nossa comunidade e muito mais.
Sendo Assim, vamos fazer o melhor desempenho dos trabalhos dentro da comunidade, para aprimorarmos mais os nossos conhecimentos dentro da realidade de nossa comunidade e dos diversos membros dos grupos e associações e do bem estar
social.
Pense Nisso, Caro Leitor assim você estará contribuindo para o
desenvolvimento de sua comunidade.
Boa Leitura!

Com autorização do Prof. Manuel Dutra, republicamos aqui a Matéria que saiu no Jornal O Liberal de Belém em 9 de agosto de 1987. A matéria não retrata a realidade atual da Vila de Boim e busca ressaltar a originalidade e grande criatividade que a caracteriza. É um texto rico de histórias e lendas da Amazônia, de seus habitantes, de suas dificuldades e seu imaginário.

Fonte: Blog do Prof. Manuel Dutra

História de jornalista: hoje é dia do santo namorador de Boim

À noite, quando todos dormiam, exceto o boto conquistador, Inácio Lopez de Loyola deixava o seu pedestal e, viajando algumas léguas Tapajós abaixo, em pouco tempo estava ao lado de Nossa Senhora da Saúde, na Vila de Alter do Chão. Não foi uma nem duas vezes que os fiéis, ao chegarem para a reza matinal, assustaram-se ao perceber as vestes do santo úmidas pelo orvalho e a orla de seu manto apinhada dos carrapichos do mato por onde andara na noite anterior.

J. Bosco, para o libro Ramal dos Doidos

Reportagem publicada no jornal O Liberal, de Belém, em 9 de agosto de 1987, constante do livro Ramal dos Doidos. Portanto, os dados aqui publicados (menos os históricos) referem-se àquela data . A parte do relato sobre a mitologia local não tem a intenção de depor contra os moradores de Boim, afinal  histórias parecidas fazem parte do imaginário amazônico e integram nosso quadro cultural.

Por M. Dutra – Pouco lugar no mundo tem tanta história para contar. Cada esquina da vila, cada vereda, cada árvore centenária, cada touceira de tucumã representam, na cabeça dos moradores de Boim, especialmente dos mais velhos, ‘causos’ materializados em tempos idos ou que se repetem no presente. As frestas abertas pelo progresso distante eliminaram da convivência diária, e “real”, personagens como o velho boto de mil tropelias, o jurupari, o patauí, o padre-sem-cabeça, o bicho-do-mato, os assobios misteriosos que assustavam a vila nas madrugadas quentes de verão.

Embora o jurupari não sugue mais o miolo das pessoas com a grande boca que tem acima do umbigo, nem o bicho-do-mato carregue mais as mocinhas para as capoeiras, o boto ainda dá o ar de sua graça. Hoje em Boim há dois filhos de boto, duas crianças albinas que não suportam a luz do sol, pela hipersensibilidade dos olhos à luz. Neste caso, os mais jovens preferem chamar, em vez de filhos do boto, a classificação mais realista de filhos de puta.

Contrastando com a exuberante beleza do Rio Tapajós, as comunidades situadas em suas margens caracterizam-se pela extrema pobreza. A antiga importância de Boim, como ponto de apoio dos regatões, concentrou no lugar a pecha de faminto. Ainda são correntes as histórias de quando um “gaiola” se aproximava para pegar lenha no Pau-de-Letra, uma ponta de areia próxima à vila, o vapor apitava: “Boiiiimmm, Boiiimmm”, a que os cachorros do lugar respondiam, correndo para a beira do rio: “fome, fome, fome”. E o galo cantava: “sempre foi assiiimmm…” Tido e havido como um rio pobre, hoje sabe-se que essa pobreza caracteriza seus habitantes porque não dominam, ainda, as técnicas mínimas de pesca e não dispõem de meios para aproveitar os ricos cardumes da região.

Porém, a partir do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, eles começam a protestar contra a penetração de barcos-geleiras que adentram o rio para encher seus depósitos com o melhor tucunaré que existe no Baixo Amazonas, com o filhote e a dourada. O tracajá também atrai os pescadores de fora. A população sobrevive tradicionalmente da pequena produção da farinha de mandioca, da caça e da extração cada vez mais difíceis e da captura de pequenos peixes com os apetrechos os mais rudimentares.

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